
Com a chamada de Bobadilla para a Seleção do Paraguai que disputará a edição de 2026, o Tricolor completou 55 convocações para a Copa – a oitava de um atleta de outra nacionalidade que não a brasileira.
Confira, abaixo, a relação de estrangeiros que defendiam o Tricolor quando convocados para a Copa do Mundo:
1974: Pedro Rocha e Pablo Forlán
A dupla uruguaia consagrada no Tricolor dos anos 70 chegou no Mundial da Alemanha com a responsabilidade de defender um país cabeça de chave da competição, afinal, quatro anos antes, no México, haviam sido semifinalistas, sendo eliminados pela campeã Seleção Brasileira.
Forlán, que já havia disputado a Copa de 1966, atuou com a camisa de número 4 às costas, e Pedro Rocha, veterano na maior competição da FIFA, participou de sua quarta edição (jogou também em 1962, 1966 e 1970), levando a camisa 10.
Ambos os jogadores participaram de todos os jogos do Uruguai na Copa. Pena que a seleção oriental não foi muito adiante, caindo ainda na primeira fase da disputa. Dos três jogos realizados, somaram somente um ponto no empate com a Bulgária (1×1, gol de Pavoni). Perderam para a Holanda (0x2), sensação, e Suécia (0x3).
Forlán permaneceu no Tricolor até 1975 e o Verdugo foi três anos mais além, até 1978.
1986: Darío Pereyra
Um pouco de melhor sorte teve Darío Pereyra. O jogador polivalente (jogou de meia, volante e zagueiro) que formou uma dupla inesquecível com Oscar na defesa do Tricolor alcançou as oitavas de final do campeonato mundial. No sorteio da Copa, a Seleção do Uruguai caiu no pote 2, entre fortes seleções, mas não cabeças de chave. Junto a Dinamarca, Alemanha e Escócia, formou o grupo “E” da primeira fase do torneio.
A Celeste obteve um ótimo resultado empatando em 1 a 1 com a Alemanha Ocidental, mas sofreu uma goleada da surpreendente Dinamáquina: 6 a 1. O rescaldo foi um 0 a 0 contra a Escócia. Darío, trajando a camisa 14, só jogou esse jogo na primeira fase. Classificados em 3º lugar no grupo, encararam a Argentina no confronto eliminatório.
A seleção do lado de lá do Rio da Prata se deu melhor e venceu por 1 a 0. Darío esteve em campo, mas nada pode fazer para evitar o gol de Pasculli e a desclassificação de seu país. Pereyra jogou no Tricolor até 1988.
1998: Victor Aristizábal
O colombiano Aristizábal infernizou as defesas adversárias do Tricolor no final dos anos 90, ao lado de França e Dodô. As atuações dele levaram-no à Copa do Mundo da França, onde esteve em campo, com a camisa nº 15, nas três partidas que a Colômbia tomou parte, mas somente na derrota para a Romênia, por 1 a 0, foi titular.
Na vitória contra a Tunísia, por 1 a 0, e na derrota para a Inglaterra, por 2 a 0, o atacante entrou no decorrer da partida, no segundo tempo, não chegando a marcar gols.
No grupo “G” da competição, a Colômbia terminou em terceiro lugar, atrás de Romênia e Inglaterra, sendo assim eliminada. Aristizábal, depois da Copa, deixou o Tricolor e passou a atuar no Santos.
2014: Alvaro Pereira
O lateral-esquerdo do Tricolor no ano de 2014 não tomou parte no jogo de estreia da Celeste naquela Copa do Mundo (os uruguaios perderam por 3 a 1 para a Costa Rica). O camisa 6, contudo, assumiu a posição na rodada seguinte, e ajudou o país dele na vitória contra a Inglaterra, por 2 a 1, permanecendo em campo nos 90 minutos.
Na última rodada da primeira fase, na emocionante e decisiva vitória sobre a Itália, Álvaro Pereira esteve em campo por 63 minutos, até ser substituído pelo técnico Óscar Tabárez por Christian Stuani.
Com o resultado, o Uruguai terminou na segunda colocação do Grupo D, com 6 pontos, um atrás da Costa Rica. Desta maneira, qualificou-se para as oitavas de final onde, no Maracanã, enfrentou a Colômbia. Álvaro Pereira atuou até os nove minutos do segundo tempo, quando já perdiam por 2 a 0 para os colombianos, dando lugar, então, a Gastón Ramirez. Mas nada mudou. O Uruguai foi eliminado, por este placar, pela Colômbia.
Álvaro, terminado o vínculo dele com o Tricolor (empréstimo junto a Internazionale), ao final de 2014, regressou à Itália e logo depois passou a jogar pelo Estudiantes de La Plata.
2018: Cueva
Atleta do São Paulo desde 2016, Cueva foi o primeiro jogador peruano a representar o clube em uma Copa do Mundo. Com a camisa número 8 às costas, o meio-campista participou dos três jogos da equipe na competição.
Estreou contra a Dinamarca e acabou sendo decisivo para o resultado do confronto, pois o jogador perdeu um pênalti na partida em que o Peru saiu derrotado por 1×0.
No jogo seguinte, contra a França, Cueva foi substituído por Raúl Ruidíaz faltando oito minutos para o fim da partida, com o adversário já vencendo o jogo pelo placar que seria final, 1×0.
A melhor atuação do meia foi na rodada derradeira, contra Austrália. O Peru abriu o placar com Carrillo, no primeiro tempo e, na etapa final, Cueva tabelou com Trauco e encontrou Paolo Guerreiro para marcar o segundo gol e decretar a vitória da seleção peruana, que terminou no terceiro lugar do Grupo C da Copa.
2022: Arboleda
O equatoriano, que defende o São Paulo desde julho de 2017, foi convocado para a Copa do Mundo do Catar, mas o zagueiro não entrou em campo em nenhuma partida do Equador naquela edição.
Após um início promissor, em que venceu o anfitrião por 2 a 0, o Equador empatou com a forte Holanda, mas foi eliminada da competição com a derrota para Senegal na rodada final da primeira fase. O país acabou se classificando apenas em terceiro lugar no grupo A, com quatro pontos
Caso especial
O caso do equatoriano Reasco é diferente dos outros jogadores apresentados nesta obra. Reasco não chegou à Copa do Mundo de 2006 convocado como atleta do Tricolor, mas sim atuando pela LDU de Quito. Contudo, ao iniciar a Copa do Mundo o lateral-direito já possuía contrato com o São Paulo.
Desta maneira, o nome dele não é ligado oficialmente ao Tricolor nos critérios mais comuns de análise, mas vale aqui a menção desta participação. Usando o manto de número 18, Reasco só não esteve em campo na derrota do Equador para a Alemanha (0x2). Com ele, o Equador venceu a Polônia, por 2 a 0, e a Costa Rica, por 3 a 0. Foram eliminados, contudo, nas oitavas de final pela Inglaterra (0 x1), após terem terminado em segundo lugar no Grupo A, da primeira fase, logo atrás da Alemanha.
Reasco só se apresentou ao Tricolor no mês de agosto seguinte. Logo na estreia, contra o Goiás, sofreu grave contusão. Contusões que o perseguiram em toda a passagem no São Paulo. Foram três anos, de 2006 a 2008. Poucos reparam, mas o equatoriano foi um dos únicos nove homens tricampeões brasileiros de modo consecutivo.
Quanto ao Brasil…
Confira também, a relação de convocações pela Seleção Brasileira:
*Existe um litígio quando ao nome de Araken, mas é certo que antes da convocatória para a Copa de 1930, a última partida do atleta foi pelo São Paulo.
Por Michael Serra / Arquivo Histórico João Farah