São Paulo F.C



O São Paulo nos Jogos Olímpicos de 1992

Para os Jogos de Barcelona, o Tricolor enviou uma delegação no boxe

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Por Arquivo Histórico do São Paulo FC - Edmundo Maria Filho foi um dos são-paulinos qualificados para os Jogos de 1992, mas contundido, não disputou sua luta entre os pesos super-pesados

Os Jogos Olímpicos de Verão da XXV Olimpíada foram realizados na cidade espanhola de Barcelona em 1992. O evento ocorreu entre 25 de julho e 9 de agosto daquele ano. Foram os primeiros Jogos após a queda do Muro de Berlim, a unificação da Alemanha e o fim da União Soviética. Esta Olimpíada marcou também o regresso da África do Sul ao cenário esportivo internacional, graças ao fim do regime de apartheid.

O quadro de medalhas das 32 modalidades disputadas por 169 países consagrou vitória da Comunidade de Estados Independentes – união de países da finada república soviética – (45 ouros, 38 pratas, 29 bronzes, 112 no total). O Estados Unidos assumiu a segunda posição (37 ouros, 34 pratas, 37 bronzes, 108 medalhas no total) e a Alemanha unificada conquistou o terceiro posto (com 33 ouros, 21 pratas, 28 bronzes e 82 pódios no total).

O Brasil, com uma delegação formada por 197 atletas (146 homens e 51 mulheres) em 24 esportes, ficou em 25º na classificação final dos Jogos após conquistar três medalhas: duas de ouro e uma de prata. As douradas foram com o time de voleibol masculino e com o judoca Rogério Sampaio (ABREV Barcelona). A medalha de prata coube a Gustavo Borges (EC Pinheiros), nos 100 metros livres da natação.

O São Paulo Futebol Clube, que no começo de 1992 reativou o departamento de boxe e incorporou os pugilistas filiados ao CA Pirelli, que encerrara as portas, enviou aos Jogos de Barcelona uma comitiva de cinco boxeadores e também o treinador da equipe: Antônio Carollo. Contudo, Edmundo Maria Filho, um dos atletas, sentiu uma contusão às vésperas de estrear e não disputou a competição. O são-paulinos que efetivamente participaram da Olimpíada então foram Luiz de Freitas, Rogério Dezorzi, Adilson da Silva e Lucas França.

 

ADILSON DA SILVA

Adílson Rosa da Silva
Rodeador (MG), 9 de setembro de 1967

O pugilista mineiro começou a praticar o esporte muito cedo: com treze anos de idade já arriscava socos no ADC Volkswagen, em São Bernardo do Campo. Competitivamente estreou nos ringues dois anos depois, e foi vice-campeão da Forja dos Campeões. Em 1988, o primeiro baque na carreira: após conquistar vaga para os Jogos Olímpicos de Seul, o atleta foi cortado por contusão.

Não desistiu: em 1991, representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Havana, lutando na categoria leve e terminando na sexta colocação. No ano seguinte, realizou o sonho de disputar os Jogos Olímpicos, agora em Barcelona. Encerrou a carreira de boxeador em 1996 e atualmente dá aulas do esporte em uma academia na região do ABC.

Participação nos Jogos Olímpicos

Boxe: Peso leve (29 participantes)

30/07/1992 – Primeira rodada eliminatória.

Adilson Silva (BRA) x Oscar de la Roya (EUA)
Vitória de Oscar de la Roya por decisão do juiz de interromper a luta. Adilson Silva não se classificou para as oitavas de final.

O brasileiro não deu sorte de enfrentar, logo de cara, o futuro vencedor do torneio olímpico e várias vezes campeão mundial profissional do peso leve, meio-pesado e médio, o norte americano De la Roya.

Medalhistas:

Ouro: Oscar de la Roya (EUA)
Prata: Marco Rudolph (ALE)
Bronze: Hong Seong-Sik (CRS) e Namjilyn Bayarsaikhan (MON)

 

LUCAS FRANÇA

Lucas França
São Paulo (SP), 16 de maio de 1968

Filho de pugilista, Lucas França não escapou à influência e também entrou no mundo do boxe. O cartel de lutador de França começou em 1985, treinando no CA Pirelli, em Santo André. Lá, foi campeão brasileiro por cinco vezes. Em 1991, nos Jogos Pan-Americanos de Havana, competiu na categoria médio ligeiro e foi medalhista de bronze.

Três anos depois de disputar os Jogos de Barcelona, profissionalizou-se enquanto defendia as cores do São Paulo FC. Porém, após sofrer um grave descolamento de retina, decidiu encerrar a carreira competitiva e tornou-se lutador, não de boxe, mas de MMA.

Participação nos Jogos Olímpicos

Boxe: Peso médio-ligeiro (30 participantes)

27/07/1992 – Primeira rodada eliminatória.

Lucas França (BRA) x Chalit Boonsingkarn (TAI)
Vitória de Chalit Boosingkarn por pontos.

Lucas França não se classificou para as oitavas de final.

Medalhistas:

Ouro: Juan Carlos Lemus (CUB)
Prata: Orhan Delibas (HOL)
Bronze: György Mizsei (HUN) e Robin Reid (GBR)

 

LUIZ DE FREITAS

Luiz Cláudio de Freitas
Salvador (BA), 3 de agosto de 1967

Luiz de Freitas já se aventurava no boxe quando, em 1990, passou a treinar na recém-inaugurada Academia Champion, de Luiz Carlos Dórea. Com menos de um ano de treinamento, os resultados vieram: Luiz foi medalhista de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Havana, em 1991,

No ano seguinte, representou o São Paulo FC e o Brasil nos Jogos Olímpicos de Barcelona, alcançando as oitavas de final do torneio do peso mosca. Depois que se aposentou, tornou-se treinador na terra natal dele, mais exatamente na famosa Academia Mão de Pedra, pela qual já passou também outro tricolor: Acelino “Popó” Freitas.

Participação nos Jogos Olímpicos

Boxe: Peso mosca (31 participantes)

27/07/1992 – Primeira rodada eliminatória.

Luiz de Freitas (BRA) x Han Gwang-Hyeong (CRS)
Vitória de Luiz de Freitas por pontos.

Lucas França se classificou para as oitavas de final.

02/08/1992 – Oitavas de Final.

Luiz de Freitas (BRA) x Benjamin Mwangata (TAN)
Vitória de Benjamin Mwamgata por pontos.

Lucas França não se classificou para as quartas de final.

Medalhistas:

Ouro: Choi Chol-Su (CRN)
Prata: Raúl González (CUB)
Bronze: Tim Austin (EUA) e István Kovács (HUN)

 

ROGÉRIO DEZORZI

Rogério de Brito Dezorzi
São Paulo (SP), 12 de agosto de 1966

Desde criança era apto à esporte. Quando menor, chegou a tomar parte na equipe de atletismo do ADC Volkswagen, mas por falta de condições financeiras para comprar equipamento e uniforme, abandonou a modalidade. Tentou então ser jogador de futebol, mas como não possuía alguém com disponibilidade de acompanha-lo aos treinos, desistiu.

Voltou-se então o boxe, mas a mãe de Rogério o retirou das lutas. Sabe, coisa de mãe. Mas com 18 anos o atleta regressou aos ringues, agora sob tutela do famoso técnico Antônio Carollo, no CA Pirelli, onde trabalhou também como funcionário. A carreira no boxe então deslanchou: foi campeão brasileiro e sul-americano dos pesos galo, além de obter a medalha de bronze no Pan-Americano de 1991.

Participou de duas Olimpíadas, 1992 e 1996, sempre com as cores do São Paulo FC e rejeitando o profissionalismo. Depois de encerrar a carreira competitiva, permaneceu algum tempo como treinador de boxe, mas hoje em dia é motorista de ônibus em Santo André.

Participação nos Jogos Olímpicos

Boxe: Peso pena (31 participantes)

29/07/1992 – Primeira rodada eliminatória.

Rogério Dezorzi (BRA) x Steven Kevi (PNG)
Vitória de Rogério Dezorzi por pontos.

Rogério Dezorzi se classificou para as oitavas de final.

02/08/1992 – Oitavas de Final.

Rogério Dezorzi (BRA) x Ramazan Paliani (CEI)
Vitória do georgiano Ramazan Paliani.

Rogério Dezorzi não se classificou para as quartas de final.

Medalhistas:

Ouro: Andreas Tews (ALE)
Prata: Faustino Reyes (ESP)
Bronze: Hocine Soltani (AGL) e Ramazan Paliani (CEI)

 

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