São Paulo F.C



O São Paulo na Copa do Mundo de 1986

Recorde tricolor: o clube contou com seis atletas no torneio

1986.png

Por Arquivo Histórico do São Paulo FC - Propaganda com selecionáveis em 1986. Gilmar e Sidney foram cortados. Oscar entrou na lista. Falcão, Careca e Müller entraram em campo na Copa do Mundo.

A Copa do Mundo de 1986 foi realizada no México. O país norte-americano sediou o evento pela segunda vez (já havia o recebido em 1970). Originalmente essa Copa estava prevista para acontecer na Colômbia, mas devido a uma grave crise econômica, os sul-americanos desistiram da recepção. A FIFA até mesmo chegou a oferecer a Copa para o Brasil, os EUA e o Canadá, mas todos recusaram.

No total, 113 seleções disputaram as eliminatórias, das quais, três novas equipes chegaram à fase final, a copa propriamente dita: Canadá, Iraque e Dinamarca, que surpreendeu o mundo pela campanha, ganhando o apelido de Dinamáquina. Na primeira fase, os seis grupos tiveram como cabeças de chave a Itália, a França, o Brasil, a Alemanha Ocidental, a Polônia e o país sede, o México.

Como o novo regulamento não mais previa, na segunda fase, formação de grupos (seriam simples jogos eliminatórios), classificavam-se às oitavas de final os dois primeiros colocados de cada grupo, mais os quatro melhores terceiros colocados entre os seis existentes. Assim, não houve surpresas entre os eliminados na primeira fase.

Vale destacar a campanha da Dinamarca, no grupo E, em que terminou em primeiro lugar, com três vitórias, ficando à frente de Alemanha Ocidental e Uruguai. Outro resultado espantoso foi obtido pela seleção do Marrocos, que encerrou a primeira fase líder do grupo F, com quatro pontos, à frente da Inglaterra, Polônia e Portugal. As duas revelações, contudo, sucumbiriam já nas oitavas de final, perante Espanha e Alemanha Ocidental.

Avançaram às quartas de final, então, as equipes do Brasil, da França, do México, da Alemanha Ocidental, da Argentina, da Inglaterra, da Bélgica e da Espanha. A primeira grande seleção belga da história chegou às semifinais eliminando a Espanha nos pênaltis. Do mesmo jeito, foram excluídos do torneio os times do Brasil e do México, caindo frente aos franceses e alemães.

A grande partida dessa fase, no entanto, aconteceu entre argentinos e ingleses, que anos antes se confrontaram com armas em mãos na Guerra das Malvinas. Derrotados no embate sangrento, os argentinos venceram dentro de campo com um gol irregular, de mão, de Diego Maradona.

Gol que possibilitou a Argentina chegar à final da competição, após superar a Bélgica na semifinal. Na decisão, os argentinos se sagraram campeões ao derrotarem a Alemanha Ocidental por 3 a 2.  

 

OS SÃO-PAULINOS

Em 1986, novamente o título da equipe brasileira bateu na trave, mesmo com a participação recorde de são-paulinos no evento: Foram seis jogadores, a saber: Oscar, Falcão, Müller, Careca e Silas, pela Seleção Brasileira, além de Darío Pereyra, pela equipe do Uruguai.

O centroavante Careca, inclusive, marcou cinco gols naquela Copa (Argélia, Irlanda do Norte, duas vezes, Polônia e França), sendo o artilheiro do Brasil no torneio, com média de um gol por jogo. O camisa nove recebeu a Bola de Prata como vice artilheiro no geral, atrás de Gary Lineker, da Inglaterra, que marcou seis gols. Pelo Tricolor, Careca marcou 115 gols em 191 partidas, sendo campeão brasileiro de 1986 e paulista de 1985 e 1987.

Outro tricolor que esteve em campo nas cinco partidas do Brasil foi o atacante Müller. Vestindo a camisa sete, ele começou no banco nos dois primeiros jogos da seleção, mas assumiu a titularidade nos confrontos contra Irlanda do Norte, Polônia e França. Pelo time do Morumbi, Müller, em três passagens, marcou 160 gols em 386 partidas, sendo campeão de praticamente tudo o que disputou pelo time.

Falcão, o Rei de Roma, foi contratado pelo São Paulo, a peso de ouro, em 1985. Na Copa do Mundo de 1986, o camisa cinco, contudo, só fez duas partidas, contra Espanha e Argélia, entrando no decorrer do jogo. No São Paulo, o desempenho dele foi de 1 gol em 15 partidas, sendo campeão paulista de 1985.

Também com duas partidas na Copa, Silas, com a camisa 20, esteve em campo contra a Polônia e a França, substituindo Müller e Junior. O desempenho dele no Tricolor é de 35 gols e 170 jogos, com os títulos de campeão brasileiro de 1986 e paulista de 1985 e 1987.

O único são-paulino que não teve a chance de jogar nessa Copa do Mundo foi o zagueiro Oscar, então com a camisa número três. No Tricolor, Oscar foi capitão e atuou em 294 partidas, marcando 13 gols, além de ter sido campeão brasileiro em 1986 e paulista em 1980, 1981, 1985 e 1987.

Cabe dizer que, o Tricolor ainda poderia ter Gilmar, goleiro, e Sidney, atacante, na Seleção Brasileira, mas ambos os jogadores foram cortados por contusão.

O último tricolor nessa Copa do Mundo: Darío Pereyra. O jogador polivalente (jogou de meia, volante e zagueiro), que formou uma dupla inesquecível com Oscar na defesa do Tricolor, alcançou as oitavas de final do campeonato mundial.

A Celeste obteve um ótimo resultado empatando em 1 a 1 com a Alemanha Ocidental, mas sofreu uma goleada da Dinamáquina: 6 a 1. O rescaldo foi um 0 a 0 contra a Escócia. Darío, trajando a camisa 14, só jogou esse jogo na primeira fase. Classificados em terceiro lugar no grupo, encararam a Argentina no confronto eliminatório.

A seleção do lado de lá do Rio da Prata se deu melhor e venceu por 1 a 0. Darío esteve em campo, mas nada pode fazer para evitar o gol de Pasculli e a desclassificação de seu país. Pereyra jogou no Tricolor até 1988, marcando 37 gols em 453 partidas. Foi bicampeão brasileiro, em 1977 e 1986, e tetracampeão paulista em 1980, 1981, 1985 e 1987.

 

A CAMPANHA DO BRASIL

Primeira fase

  • 01/06 - Guadalajara - Brasil 1x0 Espanha, gol de Sócrates;
  • 06/06 - Guadalajara - Brasil 1x0 Argélia, gol de Careca;
  • 12/06 - Guadalajara - Brasil 3x0 Irlanda do Norte, gols de Careca (2) e Josimar;

Oitavas de final

  • 16/06 - Guadalajara - Brasil 4x0 Polônia, gols de Sócrates, Josimar, Edinho e Careca;

Quartas de final

  • 21/06 - Guadalajara - Brasil 1x1 França (3x4 nos pênaltis), gol de Careca.

 

A CAMPANHA DO URUGUAI

Primeira fase

  • 04/06 - Quéretaro - Alemanha Ocidental 1x1 Uruguai, gol de Alzamendi;
  • 08/06 - Nezahualcóyotl - Uruguai 1x6 Dinamarca, gol de Francescoli;
  • 13/06 - Nezahualcóyotl - Uruguai 0x0 Escócia;

Oitavas de final

  • 16/06 - Puebla - Argentina 1x0 Uruguai.

 

OS INSCRITOS NA SELEÇÃO BRASILEIRA

  • Goleiros: Carlos (Corinthians), Leão (Palmeiras) e Paulo Victor (Fluminense);
  • Defensores: Branco (Fluminense), Edinho (Udinese), Edson Boaro (Corinthians), Oscar (São Paulo), Josimar (Botafogo), Julio César (Guarani), Junior (Torino) e Mauro Galvão (Internacional);
  • Meio-campistas: Zico (Flamengo), Elzo (Atlético Mineiro), Falcão (São Paulo), Silas (São Paulo), Alemão (Botafogo), Sócrates (Flamengo) e Valdo (Grêmio);
  • Atacantes: Careca (São Paulo), Edivaldo (Atlético Mineiro), Müller (São Paulo) e Casagrande (Corinthians).

 

FICARAM FORA DA SELEÇÃO BRASILEIRA

Cortados (a lista completa de 40 nomes é desconhecida)

  • Gilmar (São Paulo), Dida (Coritiba), Leandro (Flamengo *se recusou a ir); Mozer (Flamengo), Dirceu (Como, da Itália), Toninho Cerezo (Roma), Marinho (Bangu), Éder (Atlético Mineiro), Renato Gaúcho (Grêmio) e Sidney (São Paulo).