São Paulo F.C



Há 23 anos, o São Paulo conquistou o Tricampeonato Brasileiro

Após vitória com gol de Mário Tilico e empate fora de casa, Tricolor ergueu a taça

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Por Nelson Coelho/Divulgação - Zetti, Ronaldão, Leonardo, Ricardo Rocha, Zé Teodoro e Antônio Carlos. Abaixados: Müller, Raí, Macedo, Bernardo e Cafu.

No dia 9 de junho de 1991, há 23 anos, o São Paulo deu o passo inicial para uma nova fase da história. O Tricolor era, então, bicampeão nacional após ter batido na trave nos dois anos anteriores, com dois vices campeonatos nacionais (1989 e 1990). Em 1991, o São Paulo não deixou escapar o título e conquistou, enfim, o Tricampeonato Brasileiro ao superar o surpreendente Bragantino na casa do adversário.

Esse sucesso colocou um ponto final a um período de incertezas e proporcionou um novo e amplo horizonte de vitórias aos são-paulinos: primeiro a América, depois o Mundo. Porém, tudo isso começou ao se juntar os cacos da temporada de 1990. Telê Santana, que a princípio chegou naquele ano somente para apagar o incêndio, em pouco tempo conseguiu formular uma equipe forte e competitiva. Zetti, Cafu, Leonardo encontraram seu espaço na equipe, a qual Raí regia com maestria.

Logo no primeiro jogo da competição, 3 a 0 em cima do Atlético Mineiro, em Belo Horizonte. Contudo, o time se mostrou inconstante nas rodadas iniciais, acumulando derrotas e vitórias aleatórias. Nada que assustasse. Depois, dez jogos invictos levaram o Tricolor à liderança do campeonato na primeira fase.

Quatro times avançaram às semifinais: São Paulo, Bragantino, Fluminense e Atlético Mineiro. Por possuir a melhor campanha até então, dois empates e um gol mais que aguerrido de Mário Tilico garantiram vaga na finalissima ao time do Morumbi. Contudo, esse mesmo critério que nas semifinais beneficiou o Tricolor, na decisão quase prejudicou.

Como o Bragantino passou pelo Fluminense com uma vitória e um empate, acumulou mais pontos e ultrapassou o Tricolor na pontuação geral, obtendo assim, um ponto de bonificação na disputa do título. Ou seja, somente duas combinações de resultados interessavam ao São Paulo: duas vitórias, ou ao menos uma vitória e um empate.

As partidas decisivas

Na fria noite do dia 5 de junho, o São Paulo foi ao ataque sabendo que decidiria o campeonato ali, em seus domínios. Morumbi lotado e pressão durante todo o jogo... mas nada de gol. No segundo tempo, alucinado, o Tricolor não deixou o Bragantino respirar. Logo aos 4 minutos, Cafu avançou e cruzou pela direita. Bernardo, na área, cabeceou a bola na trave! Marota, ela sobrou para Müller de cara pro gol, mas o atacante furou!

Eis que novamente a estrela de Mário Tilico brilhou. Iluminado, salvou o lance acertando um chute certeiro no canto direito do goleiro Marcelo. O gol da vitória, o gol do título. Claro, ainda haveria o jogo de volta e ninguém imaginava isso ou já se considerava campeão.

Em Bragança Paulista, pouco mais de 12 mil pessoas no pequeno, porém pulsante estádio Marcelo Stéfani.  O campo diminuto, o gramado ruim, a lama e, claro, o bom time do Bragantino de Carlos Alberto Parreira eram grandes ameaças. Porém, o gênio de Telê as neutralizaram com uma mera substituição: ao passar Cafu para o meio campo e ao deixar Zé Teodoro na lateral direita, o treinador são-paulino anulou a ofensiva interiorana, mantendo ainda o potencial de contra-ataque dos tricolores.

Não deu outra, fim de jogo (após um susto nos minutos finais): 0 a 0. O São Paulo se tornou Tricampeão Brasileiro. Raí, com a faixa de capitão, ergueu a taça cuja réplica hoje se encontra no Memorial Luiz Cássio dos Santos Werneck, o salão de troféus do Morumbi.

A conquista assegurou vaga ao clube na disputa da Taça Libertadores da América de 1992. Mais que isso, o título abriu o coração de milhões de são-paulinos a algo tãos saboroso quanto, à emoção que o torcedor tricolor conheceu tão bem, por três vezes, até hoje: O sabor de ter o mundo a seus pés.

 

09.06.1991
Bragança Paulista (SP) - Estádio Marcelo Stéfani

Clube Atlético BRAGANTINO 0 X 0 SÃO PAULO Futebol Clube

CAB: Marcelo; Gil Baiano, Júnior, Nei (capitão) e Biro Biro; Mauro Silva, Ivair (Luiz Müller), Alberto e João Santos (Franklin); Mazinho e Silvio. Técnico: Carlos Alberto Parreira.

SPFC: Zetti; Zé Teodoro, Antônio Carlos, Ricardo Rocha e Leonardo; Ronaldão, Bernardo, Cafu e Raí (capitão); Macedo e Müller (Flávio). Técnico: Telê Santana.

Árbitro: José Roberto Ramiz Wright
Renda:
 CR$ 64.650.000,00
Público: 12.942 pagantes