São Paulo F.C



Campeão Brasileiro de 1977 contra o Atlético Mineiro

O jogo mais importante da história entre São Paulo e o Galo resultou em título para o Tricolor

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Por Rodolpho Machado/Reprodução - Equipe campeã de 1977

A crítica esportiva fazia coro uníssono durante o Campeonato Brasileiro de 1977: "O São Paulo é a zebra". Afinal, o clube havia terminado o Paulistão daquela temporada em 3º lugar e o bicampeão Internacional, de Falcão, o Atlético Mineiro, de Cerezo, o Fluminense, de Rivellino e o Flamengo, de Zico, eram mais cotados ao título.

Contudo, quem entrou em campo naquele dia 5 de março de 1978 para enfrentar o Atlético Mineiro, favorito na final do Campeonato Brasileiro de 1977, foi o Tricolor. O Mineirão estava em ebulição com 102.974 pessoas. O Galo decidia o título em casa, em um jogo único, pelo fato de ter melhor campanha acumulada nas fases anteriores.

O clima nos bastidores era tenso. Se o São Paulo não teria Serginho, suspenso pelo STJD, o Atlético não teria também Reinaldo, pelo mesmo motivo. A guerra psicológica foi adotada por ambos os lados e ameaças de efeitos suspensivos eram as pautas do dia. Rubens Minelli então ousou, mandou que, de última hora, Serginho fosse à Belo Horizonte com o restante do grupo e que aparecesse no vestiário paramentado com o uniforme de jogo. Foi aquele alvoroço! A imprensa achou que o Tricolor havia de fato conseguido o efeito suspensivo.

Desconcentrados pelo diz-que-me-diz dos corredores, os mineiros subiram ao campo e foram surpreendidos pela melhor postura dos jogadores do São Paulo, que tiveram as melhores chances de gol durante o jogo: Viana acertou o travessão durante o tempo regulamentar e o zagueiro Márcio salvou em cima da linha um cabeceio de Chicão, na prorrogação.

Como o placar não foi alterado no tempo regulamentar, a decisão seria então sob a pressão dos pênaltis. O primeiro a bater foi o tricolor Getúlio, ex-jogador do Atlético. Resoluto, correu devagar, tocou forte na bola, mas veio a defesa de João Leite. A decisão não começou bem para o São Paulo...

Foi a vez, então, de Toninho Cerezo bater, apoiado por mais de cem mil vozes aos gritos de "Galô, Galô, Galô". Chutou, chutou alto, acima de Waldir Peres, acima do travessão: para fora!

A esperança tricolor de sair à frente agora estava na cobrança de Chicão, o capitão do time, o "Deus da Raça" são-paulino. Chicão correu e... escorregou. João Leite defendeu. O título parecia escapar por entre os dedos... Ziza colocou o time de Minas à frente. Peres depois empatou, 1 a 1. Alves recolocou, a seguir, o Atlético na liderença.

Antenor, na sequência, acertou o gol para o Tricolor. Se Joãozinho Paulista marcasse a cobrança seria muito difícil para o São Paulo recuperar. Waldir Peres então se destacou, herói, quando o adversário ajeitava a bola para a cobrança: deixou sua meta e foi ter-se com ele, tirou a bola do lugar e o provocou. Pressionado, Joãozinho mandou a bola nas alturas e manteve o empate...

Bezerra, são-paulino, marcou o seu. Que virada! Que reviravolta na decisão. Agora Márcio, aquele que salvara o galo durante a partida, teria a responsabilidade de manter o Atlético vivo na disputa. Waldir Peres então pegou pesado: deu um tapinha nas nádegas do zagueiro como se o eximisse da responsabilidade - o que obviamente teve o efeito contrário. Cobrança executada e... Novamente, bola lá em cima, fora do gol!

Chicão ergueu a taça e o São Paulo assim sagrou-se Campeão Brasileiro pela primeira vez. A primeira de muitas vezes do maior campeão da competição. Um bom retrospecto para aquele que largara como zebra... Uma zebra tricolor.

 

05.03.1978 Belo Horizonte (MG) Estádio Governador Magalhães Pinto
Clube ATLÉTICO MINEIRO 0 X 0 SÃO PAULO Futebol Clube
Tempo normal: 0 x 0; Prorrogação: 0 x 0; Pênaltis: 3 x 2 para o SPFC.

SPFC: Waldir Peres; Getúlio, Tecão, Bezerra e Antenor; Chicão (capitão), Teodoro (Peres) e Darío Pereyra; Viana (Neca), Mirandinha e Zé Sergio. Técnico: Rubens Minelli.

CAM: João Leite, Alves, Márcio, Vantuir e Valdemir, Toninho Cerezo, Ângelo e Marcelo (Paulo Isidoro), Serginho, Caio (Joãozinho Paulista) e Ziza. Técnico: Barbatana.

Árbitro: Arnaldo David Cezar Coelho
Renda: CR$ 6.857.080,00
Público: 102.974 pagantes

Pênaltis:

  • Getúlio - perdeu (João Leite) / Toninho Cerezo - perdeu (por cima)
  • Chicão - perdeu (João Leite) / Ziza - gol
  • Peres - gol / Alves - gol
  • Antenor - gol / Joãozinho Paulista - perdeu (cima)
  • Bezerra - gol / Márcio - perdeu (por cima)