São Paulo F.C



Canhoteiro, o gênio indomável

Ponta-esquerda é o maior artilheiro no clube no confronto contra o Atlético Nacional-COL, adversário do São Paulo nas quartas de final da Copa Sul-Americana de 2013

Quem o viu jogar, não fica em cima do muro: "Foi o maior de todos no São Paulo Futebol Clube". Driblava, garantem os mais velhos, no espaço de um lenço. Uma de suas jogadas características era sair com a bola junto da bandeira de escanteio, fintando o adversário mesmo estando de costas. Esse era Canhoteiro, atacante do Tricolor nas décadas de 50 e 60. De gênio indomável e habilidade para poucos, o jogador é o principal goleador da equipe nos duelos contra o Atlético Nacional-COL, adversário dos brasileiros nas quartas de final da Copa Sul-Americana de 2013.

Diante dos colombianos, que estarão frente a frente com o São Paulo por uma vaga na semifinal, Canhoteiro balançou as redes quatro vezes em três jogos. Fazia embaixadas não apenas com a bola, mas com laranja, xícara de cafezinho e até moeda. Ponta-esquerda, daqueles que tinham vaga garantida na Seleção Brasileira, José Ribamar de Oliveira disputou 413 partidas pelo time são-paulino e anotou 105 gols. Nesse período, de 1954 a 1963, acumulou 228 vitórias, 95 empates e 90 derrotas. Foram 388 jogos como titular e apenas 25 como suplente.

Natural de Coroatá, no Maranhão, Canhoteiro faleceu em São Paulo, no dia 16 de agosto de 1974. Foi convocado para a Copa do Mundo de 1958 e certamente seria o titular se não tivesse sido cortado por causa da boemia, que às vezes o levava a se atrasar nas apresentações. Teria feito, na esquerda o que Garrincha fez na direita. Na opinião de Zizinho, foi o maior driblador já visto no Brasil.

Chico Buarque, na música "Futebol", homenageou grandes jogadores do futebol brasileiro, como Canhoteiro, que em 2003 recebeu a própria canção. O cantor Zeca Baleiro também fez uma homenagem ao jogador, na música "Canhoteiro".

"Descobri que o jogador Canhoteiro era meu xará, José Ribamar e, além disso, um símbolo, pois era maranhense, revelado no Ceará e que foi para São Paulo fazer carreira. É uma homenagem ao futebol malandro, de várzea, que está em extinção", explica o autor. A música está presente no álbum Raimundo Fagner & Zeca Baleiro.