São Paulo F.C



Choque-Rei: 300 jogos de história

O mais antigo clássico que o Tricolor disputa completará 300 jogos

São Paulo e Palmeiras realizarão, amanhã (15), o jogo de número 300 entre as duas equipes. O chamado clássico "Choque-Rei" (apelido dado pelo jornalista Thomaz Mazzoni, de A Gazeta Esportiva, nos anos 40) tem 82 anos de história, além de muitas estórias, ídolos, jogos inesquecíveis e polêmicas.

Até o momento, a balança dos jogos pende para o Tricolor: São 103 vitórias para o São Paulo, contra 97 para o Palmeiras, além de 99 empates. Ao todo, foram 407 gols são-paulinos e 394 palestrinos.

  • Rivalidade

A rivalidade entre os dois clubes, ou melhor, as duas torcidas, é imensa. Vem desde a década de 30, quando ambos os times simbolizavam tipos diferentes de empreendedorismo capitalista (o clube "dos Matarazzo" e o clube "da Light" ou "dos barões do café"). Contudo, dentro de campo, a rivalidade nasceu em 1931 com uma goleada imposta pelo Tricolor (4 a 0). Tal goleada foi jurada de revanche pelos palestrinos, mas antes que pudessem cumprir a promessa sofreram outra impiedosa derrota ao serem goleados, dessa vez, por 6 a 0, em 1939 - a maior goleada do clássico até hoje.

Aliás, o placar de goleadas por saldo igual ou superior a quatro gols é de: São Paulo - 8; Palmeras - 3.

Em 1934, grande exemplo da rivalidade do Choque-Rei: O Palestra Itália já havia conquistado o Campeonato Paulista e chegou para o último jogo do certame, contra o Tricolor, invicto. O campeão caiu frente os são-paulinos (1 a 0, gol de Friedenreich) e aquela temporada alviverde ficou para sempre conhecida como a "Sinfonia Inacabada".

Nos anos 40, o auge da rivalidade entre as torcidas. O São Paulo, naquela década, seria cinco vezes campeão Paulista, e não conquistou os títulos de modo consecutivo justamente por causa do Palestra Itália que, vale dizer, se tornou Palmeiras justamente em partida contra o Tricolor, em 1942. Em jogo que valia o título, o recém nascido Palmeiras derrotou o São Paulo, que se recusou a dar prosseguimento ao jogo, permanecendo no gramado sem jogar em repúdio a arbitragem que havia expulsado Virgílio.

Muitos boatos e lendas surgiram dessa época. Cabe dizer que não passam disso. Ambos os clubes sempre foram muito corteses e próximos. Cícero Pompeu de Toledo, por exemplo, tinha familiar na diretoria do Palmeiras. Em 1945 e 1966, os palmeirenses entraram em campo com faixas saudando o São Paulo e as conquistas do clube.

  • Decisões

Em termos de finais, propriamente ditas, curiosamente só houve uma entre os dois times em toda história. Foi em 1992, na decisão do Campeonato Paulista, onde o São Paulo, mesmo tendo que ir e voltar do Japão para conquistar o mundo, se saiu vitorioso ao derrotar o rival em dois jogos (4 a 2 e 2 a 1). Outras decisões ocorreram ao longo dos anos, mas não eram verdadeiramente finais, e sim quadrangulares ou partidas em pontos corridos.

Uma inesquecível para o são-paulinos foi a decisão do Paulista de 1946. Caso empatassem, haveria jogo extra contra o Corinthians pelo título. Se perdessem, o alviverde daria o título ao clube alvinegro irmão. Mas o Tricolor venceu o jogo com um gol épico de Renganeschi, que contundido (não permitiam substituições na época) permaneceu em campo só para fazer número, e sagrou-se campeão invicto.

Quando se trata de mata-mata, o desempenho do São Paulo é de sobremaneira superior ao do rival. Foram 13 disputas vencidas pelo Tricolor (1977, 1978, 1981, 1987, 1992, 1994, 1998 (2x), 2000, 2002 (2x), 2005 e 2006), contra duas pelo Palmeiras (Brasileiro de 2000 e Paulista de 2008).

Nesse critério não foi considerado o jogo desempate pela liderança do grupo paulista do Torneio Rio-São Paulo de 1962. Ambas as equipes já estavam classificadas e a partida desempate terminou empatada em 1 a 1. No fim das contas o São Paulo perdeu o primeiro lugar no público pelo critério de renda!

Peculiarmente, a revanche em critérios de regulamento controversos veio no mesmo Rio-São Paulo, quarenta anos depois. Em 2002, o São Paulo conquistou vaga à final, após empates em 1 a 1 e 2 a 2, pelo critério de fair play. Ou seja, recebeu menos cartões que o adversário em todo o torneio.

  • Ídolos

Dezenas de jogadores já passaram por ambos os clubes. São Paulo e Palmeiras compartilham até mesmo alguns ídolos. Antônio Carlos, Cafu, César Sampaio, Darío Pereyra, Denilson, Dino Sani, Dodô, Edmilson, Edson Cegonha, Elmo Bóvio, Euller, Evair, Edu, Friedenreich, Gérsio, Gijo, Gilmar, Gino Orlando, Ieso, Ilsinho, Juninho, Junior, Junior Baiano, Kleber, Lanzoninho, Leivinha, Luizinho, Luizão, Mário Sérgio, Müller, Neto, Pedro Rocha, Picasso, Ponce de León, Turcão, Waldemar de Brito, Zetti, Zezé Procópio e outros mais.

Treinadores também devem ser lembrados: Del Debbio, Renganeschi, Carlos Alberto Silva, Conrado Ross, Diede Lameiro, Levir Culpi, Márcio Araújo, Amilcar Barbuy, Aymoré Moreira, Cláudio Cardoso, Emerson Leão, Eugênio Marinetti, Jim Lopes, Mario Travaglini, Nelsinho Baptista, Oswaldo Brandão, Paulo Cesar Carpegiani, Ramón Platero, Rubens Minelli, Silvio Pirillo e Valdir de Moraes. E o maior deles: Telê Santana.

  • Números e Dados

Total

J V E D GM GS SG PG %P %V MM MS
299 103 99 97 407 394 13 408 45,48 34,45 1,36 1,32

Mandante

J V E D GM GS SG PG %P %V MM MS
134 55 49 30 211 164 47 214 53,23 41,04 1,57 1,22

Visitante

J V E D GM GS SG PG %P %V MM MS
145 43 44 58 178 203 -25 173 39,77 29,66 1,23 1,40

 

  • Campeonato Brasileiro

Total

J V E D GM GS SG PG %P %V MM MS
50 9 24 17 52 62 -10 51 34,00 18,00 1,04 1,24

Mandante

J V E D GM GS SG PG %P %V MM MS
28 5 14 9 28 36 -8 29 34,52 17,86 1,00 1,29

Visitante

J V E D GM GS SG PG %P %V MM MS
22 4 10 8 24 26 -2 22 33,33 18,18 1,09 1,18

 

  • Estádios
Estádio J V E D GM GS SG PG %P %V MM MS
Pacaembu 124 40 40 44 172 181 -9 160 43,01 32,26 1,39 1,46
Morumbi 111 46 40 25 158 118 40 178 53,45 41,44 1,42 1,06
Parque Antarctica 38 9 11 18 34 55 -21 38 33,33 23,68 0,89 1,45
Chácara da Floresta 7 2 3 2 15 12 3 9 42,86 28,57 2,14 1,71
Prudentão 3 0 1 2 6 9 -3 1 11,11 0,00 2,00 3,00
Santa Cruz 3 0 1 2 1 5 -4 1 11,11 0,00 0,33 1,67
Teixeirão 2 1 0 1 3 2 1 3 50,00 50,00 1,50 1,00
Parque São Jorge 1 0 1 0 1 1 0 1 33,33 0,00 1,00 1,00
Moóca 1 1 0 0 6 0 6 3 100,00 100,00 6,00 0,00
Antônio Costa Coelho 1 1 0 0 1 0 1 3 100,00 100,00 1,00 0,00
Brinco de Ouro 1 1 0 0 1 0 1 3 100,00 100,00 1,00 0,00
Canindé 1 0 1 0 2 2 0 1 33,33 0,00 2,00 2,00
Luís de Oliveira 1 1 0 0 3 2 1 3 100,00 100,00 3,00 2,00
Anacleto Campanella 1 1 0 0 2 0 2 3 100,00 100,00 2,00 0,00
Municipal Jacy Scaff 1 0 0 1 0 2 -2 0 0,00 0,00 0,00 2,00
Municipal Willie Davids 1 0 1 0 1 1 0 1 33,33 0,00 1,00 1,00
Ramón de Carranza 1 0 0 1 1 2 -1 0 0,00 0,00 1,00 2,00
Morenão 1 0 0 1 0 2 -2 0 0,00 0,00 0,00 2,00

 

  • Jogadores

Mais jogos

Jogador P J V E D G P %V M
Rogério Ceni GL 50 22 13 15 7 52,67 44,00 0,14
Roberto Dias DF 38 14 12 12 6 47,37 36,84 0,16
Teixeirinha AT 37 13 13 11 7 46,85 35,14 0,19
Waldir Peres GL 37 14 13 10 0 49,55 37,84 0,00
Mauro DF 36 17 12 7 1 58,33 47,22 0,03

Mais gols

Jogador P J V E D G P %V M
Gino Orlando AT 29 11 10 8 12 49,43 37,93 0,41
Müller AT 29 11 11 7 12 50,57 37,93 0,41
Leônidas AT 19 8 5 6 10 50,88 42,11 0,53
Maurinho AT 26 11 9 6 8 53,85 42,31 0,31
Dino Sani VL 18 6 7 5 8 46,30 33,33 0,44
Armandinho AT 13 3 4 6 8 33,33 23,08 0,62
Dodô AT 11 5 2 4 8 51,52 45,45 0,73

Melhor aproveitamento (mínimo de 7 jogos)

Jogador P J V E D G P %V M
Diego Lugano DF 8 6 2 0 0 83,33 75,00 0,00
Mineiro VL 9 6 2 1 1 74,07 66,67 0,11
Cicinho LT 7 5 0 2 4 71,43 71,43 0,57
Baiano AT 9 5 4 0 2 70,37 55,56 0,22
Josué VL 10 6 3 1 0 70,00 60,00 0,00

Melhor média de gols (mínimo de 7 jogos)

Jogador P J V E D G P %V M
Dodô AT 11 5 2 4 8 51,52 45,45 0,73
Ponce de León AT 8 4 2 2 5 58,33 50,00 0,63
Armandinho AT 13 3 4 6 8 33,33 23,08 0,62
Cicinho LT 7 5 0 2 4 71,43 71,43 0,57
Leônidas AT 19 8 5 6 10 50,88 42,11 0,53

Primeiro jogo: São Paulo 2 X 2 Palestra Itália (30/3/1930).
Primeira vitória do São Paulo: 4 X 0 Palestra Itália (6/12/1931).
Maior goleada a favor: São Paulo 6 X 0 Palestra Itália (26/3/1939).
Maior goleada contra: Palmeiras 5 X 0 São Paulo (19/5/1965).
Maior invencibilidade: 15 jogos (1971-1974: seis vitórias, nove empates).
Maior sequência sem vitórias: duas vezes, nove jogos (1935-1938: sete derrotas, dois empates; 1975-1977: quatro derrotas, cinco empates).
Maior série de vitórias: seis jogos (1962-1963).
Maior série de derrotas: duas vezes, seis jogos (1937-1938;1995-1996)

• Em quatro edições do Brasileirão (1972, 1986, 1987 e 2002), o São Paulo teve o artilheiro da competição. O Palmeiras jamais viveu essa experiência.

• Nos confrontos entre São Paulo e Palmeiras pela Libertadores, o rival não conquistou uma vitória sequer. Foram seis derrotas e dois empates.

• O São Paulo é o único clube brasileiro a levar vantagem contra o Palmeiras nos anos Parmalat (1992-2000), a eramais vitoriosa da história do rival. Foram 17 vitórias, oitoempates e 15 derrotas contra o Alviverde nesse período, com o Tricolor marcando 61 gols e levando 54.

• A maior série invicta da história do clássico pertence ao São Paulo. Entre 20 de setembro de 1970 e 12 de junho de1974, o Palmeiras ficou 15 jogos sem vencer o Tricolor, mesmo vivendo uma das fases mais gloriosas de sua história, a da Academia.

• O São Paulo está invicto a 18 jogos no Morumbi, desde 2002, sendo o recorde de invencibilidade em seus domínios entre os dois clubes (contra dez jogos do Palmeiras, no Parque Antarctica, de 1936-1939).

 

  • *Embora fontes diferentes possam considerar que o clássico que se realizará domingo seja o de número 302, o São Paulo Futebol Clube, mediante o Arquivo Histórico da instituição, não considera como partida oficial do quadro principal do clube os jogos de 27/05/1942 e 06/01/1958, pois o primeiro foi uma partida de exibição extra-oficial realizada em dois tempos de 20 minutos cada (como os jogos do torneio-início), e o segundo um confronto disputado entre os quadros de aspirantes das duas equipes.