São Paulo F.C



70 anos da estreia de Leônidas

Em 24 de maio de 1942, Leônidas estreou pelo São Paulo no Pacaembu com recorde de público

Leônidas da Silva foi um divisor de águas da história do São Paulo Futebol Clube. É bem verdade que o maior jogador da história do Brasil até surgir o próprio Leônidas havia jogado no mesmo São Paulo (Arthur Friedenreich), mas a chegada do Diamante Negro ao Tricolor transformou o clube, representou com o futebol e com as conquistas uma mudança de patamar, de paradigma.

O São Paulo se tornou verdadeira e indiscutivelmente grande e nunca regrediu dessa posição. Junto ao Estádio do Morumbi, à era Raí-Telê, e à era Rogério Ceni, a era Leônidas é um dos quatro pilares fundamentais do sentimento de "sampaulinidade" que move a todos os tricolores.

A chegada de Leônidas ao São Paulo é por si só uma história marcante. Foi anunciado pela imprensa como reforço do Tricolor no dia 1º de abril. Obviamente, a torcida, local ou rival, não acreditou. O craque estava sem jogar há oito meses, fora de forma, e muitos acreditavam que estava acabado para o futebol. Que Leônidas não seria mais o mesmo Diamante Negro da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1938, em que encantou o mundo.

Para aumentar a descrença geral, a transferência do Flamengo para o São Paulo se deu ao custo de 200 contos de réis - o maior montante já pago em uma negociação de jogador de futebol até então, e por muito tempo, no Brasil.

Leônidas chegou a São Paulo vindo do Rio de Janeiro em uma tarde de sexta-feira, 10 de abril de 1942, na Estação do Norte, no bairro do Brás, onde foi recebido por uma multidão de 10 mil pessoas - que realizaram uma verdadeira passeata, carregando o ídolo nos ombros até a sede do São Paulo, na Rua Dom José de Barros.

O Campeonato Paulista já estava em disputa, e os diretores do São Paulo, visto o estado físico de Leônidas, preferiram postergar a estreia do centroavante até que estivesse com mínima condição de jogo. E isso se deu somente a 24 de maio de 1942, justamente em um clássico majestoso, São Paulo e Corinthians, no Pacaembu.

O clima para o jogo era mais tenso que a de uma final de campeonato. Os portões do estádio foram abertos às 10h da manhã. Às 13h, o Pacaembu já estava praticamente lotado, e os bondes e ônibus na região, vazios. Às 14 os portões foram fechados, com as arquibancadas superlotadas. Mais de 70 mil pessoas presentes, exatamente 72.018 pagantes - e vai saber lá quantos bicões... Um réporter de A Gazeta assim descreveu o que via dentro e fora do Pacaembu: "para se ter idéia da loucura, o público que estava no morro das avenidas dava para encher o Parque São Jorge".

Ocorreram ainda duas preliminares antes da peleja principal. Então, faltando dez minutos para as 16h, o apito soou, Leônidas deu o toque inicial e a bola rolou. Começava a Era Leônidas e a Década São Paulina, década a qual o São Paulo conquistou a soberania no estado, com cinco títulos conquistados (sendo um deles invicto, em 1946). Foi a era do Rolo Compressor, onde o São Paulo atropelava os concorrentes.

O jogo? Bom, o jogo acabou empatado em 3 a 3, com o rival empatando ao final, quando o São Paulo estava com um jogador a menos (Waldemar de Brito se contundiu e não eram permitidas substituições à época). Leônidas não marcou, mas foi o responsável pelo primeiro e terceiro gols do Tricolor.

O craque esteve bem, mesmo para estado físico em que se encontrava, mas o jornal A Hora (espécie de sensacionalista populista) estampou no dia seguinte o letreiro: "São Paulo compra bonde de 200 contos" - como se o clube tivesse comprado um jogador velho e ultrapassado. Leônidas nunca engoliu essa provocação e provou, seja ao marcar o primeiro gol de bicicleta em São Paulo em outro clássico, contra o Palmeiras, seja ao se tornar pedra fundamental do time que se tornou imbatível na década de 1940.

Hoje, 70 anos depois, o São Paulo olha o que se passou, reconhecendo e sendo extremamente grato a tudo que aquele pequeno diamante negro proporcionou não somente à própria entidade, mas a milhares de são-paulinos, do passado, do presente e do futuro.

 

Leônidas da Silva

Centroavante

Jogos disputados pelo SPFC: 211
Estreia: 24/05/1942
Último jogo: 03/12/1950
Gols Marcados no SPFC: 144
Nascimento: 06/09/1913. Rio de Janeiro (RJ).
Títulos conquistados no SPFC: Campeão Paulista de 1943, 1945, 1946, 1948 e 1949.

 

CORINTHIANS 3 X 3 SÃO PAULO

Competição: Campeonato Paulista de 1942 - Turno
Data: 24 de maio de 1942
Local: São Paulo (SP) Estádio Municipal de São Paulo - Pacaembu
Árbitro: Jorge Gomes de Lima "Joreca" (futuro técnico do São Paulo)
Renda: 244:414$000 Réis
Público: 71.281 pagantes

SPFC: Doutor; Fiorotti e Virgílio; Waldemar Zaclis, Lola e Silva; Luizinho, Waldemar de Brito, Leônidas, Teixeirinha e Pardal. Capitão: Fiorotti. Técnico: Conrado Ross

Gols: Lola, 30/1; Luizinho, 15/2; Teixeirinha, 36/2

Rival: Joel; Agostinho e Chico Preto; Jango, Brandão e Dino; Jerônimo, Milani, Servílio, Eduardinho e Hércules. Técnico: Rato

Gols: Jerônimo, 10/1; Servílio, 3/2; Servílio, 43/2