São Paulo F.C



Contra o XV, Muricy completará 400 jogos no comando da equipe

Há 20 anos, treinador dirigia o Tricolor pela primeira vez. De lá pra cá, foram cinco conquistas e muitas histórias pra contar

agasalho.telê

Por Site Oficial / saopaulofc.net

Muricy Ramalho nunca escondeu que o São Paulo é a sua casa. E, na noite desta quarta-feira (26), diante do XV de Piracicaba, o treinador escreverá mais um capítulo importante de sua história no clube. No duelo válido pela 11ª rodada do Campeonato Paulista, o técnico completará 400 jogos no comando do Tricolor. Um número marcante, que só foi atingido por Telê Santana (411 jogos), Poy (422) e Feola (532).

A trajetória de Muricy começou em 1994, quando o então auxiliar técnico do Mestre Telê ganhou a oportunidade de dirigir o time após a conquista do Bicampeonato Mundial de Clubes, em 1993. No dia 23 de janeiro daquele ano, no Estadual, o treinador comandou o São Paulo pela primeira vez e estreou com o pé direito: goleada por 4 a 1 sobre o Santo André.

De lá pra cá foram mais duas passagens pelo clube: 399 jogos, 213 vitórias, 109 empates, 77 derrotas (o time marcou 677 gols e sofreu 392). Nesse período, foi campeão da Copa Conmebol (1994), Copa Master Conmebol (1996) e tri do Brasileiro (2006/07/08). Motivos de sobra para deixar Muricy orgulhoso por dirigir o São Paulo.

"É uma marca expressiva, mostra que o trabalho foi reconhecido e deu retorno. Não é fácil ficar tanto tempo em um clube grande como este, campeão mundial e de tudo, e por isso esses 400 jogos mostram a nossa competência. É motivo de orgulho, porque atingir essa marca não é pra qualquer um. Recebo isso com satisfação, porque sempre procurei trabalhar bem para ajudar o clube", afirma o treinador.

"Foram muitas histórias nesse período. Passei por momentos decisivos, mas alguns de sufoco também. Mas o meu objetivo sempre foi ficar aqui e trabalhar para o time que sempre gostei. Desde o início, minha vontade era ganhar títulos e, diversas vezes, isso pesou nas decisões que tomei. Abri mão de muita coisa para conquistar o tricampeonato brasileiro", acrescenta.

Em 2008, após ser eliminado pelo Fluminense nas quartas de final da Libertadores da América, o São Paulo passou por momentos conturbados. No entanto, Muricy conseguiu recuperar a confiança do elenco e iniciou a briga pela conquista da competição nacional daquele ano.

"O Campeonato Brasileiro estava começando, e o ambiente era muito ruim. Briguei com muita gente pra ficar no São Paulo. Confiei no meu trabalho e no presidente Juvenal Juvêncio e, assim, fomos tricampeões. Se eu tivesse saído, não teria conquistado esse título que, pra mim, representa muito", recorda.

A conquista do torneio, aquele ano, está entre os momentos mais marcantes de Muricy pelo clube. "A gente estava desacreditado, sem investimentos e a turma desanimou um pouco. Então, fui com o que tinha, juntei alguns moleques da base e o time deu liga. Os jogadores começaram a acreditar no trabalho novamente e ganhamos o campeonato. Foi difícil e marcante", revela o treinador, que também guarda com carinho o seu primeiro título como técnico: a Conmebol de 1994.

"Foi importante, porque foi o meu primeiro título. Nosso time era jovem, formado por moleques e foi formado de última hora. O principal estava envolvido em outras competições e, então, me deram alguns meninos da base. Me marcou muito, porque ninguém esperava", diz o comandante, que revelou naquela equipe jogadores como Rogério Ceni, Vitor, Juninho Paulista, Denilson e Caio.

E, mesmo com o currículo recheado de conquistas por diversos clubes, Muricy tem motivação extra para continuar vencendo na carreira. O próximo passo do treinador, que resgatou a equipe são-paulina no Brasileiro de 2013, é erguer mais troféus pelo clube e alegrar a torcida tricolor. "Temos sempre que conquistar títulos, porque a memória das pessoas é curta. Ano passado foi complicadíssimo, mas conseguimos escapar do rebaixamento. Nunca aconteceu isso no São Paulo. Imagina a vergonha que eu e o Rogério iríamos passar? Nós fomos criados aqui. Felizmente os jogadores acreditaram no trabalho e demos sorte", complementa.

"Agora minha ideia é ficar aqui até o final do meu contrato, que tem mais dois anos, e quem sabe encerrar a minha carreira. Claro, se me deixarem ficar até lá (risos). Se eu conseguir, aí consigo bater o recorde do Feola (532 jogos no comando do Tricolor). Minha intenção é me aposentar no São Paulo", finaliza.