São Paulo F.C



A intensa temporada de Alvaro Pereira

Em 2014, ao acertar com o Tricolor, uruguaio representou a raça e a superação do time são-paulino durante o ano

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Por Rubens Chiri / saopaulofc.net

Contratado no início do ano, o lateral-esquerdo Alvaro Pereira viveu uma intensa temporada ao longo de 2014. Capítulos de superação, amor ao clube e demonstração de muita raça fizeram parte da história do camisa 6, que logo caiu nas graças do torcedor são-paulino. Com passagens por Inter de Milão-ITA e Porto-POR, o 'gringo' - como é conhecido pelos companheiros -, chegou ao São Paulo e conquistou a confiança do técnico Muricy Ramalho, que viu o jogador tomar conta da posição e dar cara nova ao setor.

Sempre voluntarioso e demonstrando a tradicional raça uruguaia, o lateral se firmou no time e, assim, ganhou o direito de poder disputar a Copa do Mundo de 2014. "Foi um ano muito bonito. Intenso. Infelizmente, alguns objetivos ficaram pelo caminho, porque a gente queria conquistar títulos, mas ainda assim brigamos por coisas importantes" avalia o experiente atleta.

Apesar do pouco tempo no clube, o lateral da Celeste colecionou histórias de superação e vontade para fortalecer o Tricolor. Na partida contra o Criciúma (1 x 1) pelo Brasileiro, no dia 2 de agosto, Alvaro bateu a cabeça no chão durante uma jogada no meio de campo e preocupou a todos - assim como na partida entre Uruguai e Inglaterra, pela Copa do Mundo.

Atendido pelos médicos, mesmo após deixar o gramado na maca e quase sair de campo de ambulância, o jogador gesticulou que não deixaria o gramado, e voltou para o jogo. Minutos depois, desarmou o rival com um carrinho ainda no campo de defesa, no lance que iniciou a jogada do belo gol feito por Alan Kardec. Ovacionado pela torcida em campo, o lateral foi aplaudido por quase 50 mil torcedores no Morumbi por seu gesto de coragem.

"Sempre tive ambição dentro de campo. Mas isso só foi possível porque me adaptei rápido com a minha família. O Brasil é um país que tem o coração do futebol e me recebeu muito bem. Vim da Europa, que tem um calendário diferente, mas consegui me adaptar ao do brasileiro. Então, no geral, posso dizer que a temporada foi boa", acrescenta.

De acordo com Alvaro, todos estes ingredientes possibilitaram que ele pudesse disputar mais uma Copa do Mundo e honrar as cores da Celeste. "Sem dúvida jogar no São Paulo me ajudou. Além disso, pude conhecer um futebol novo e fazer amigos de verdade. E espero que as coisas possam continuar por este caminho e, assim, 2015 seja ainda melhor", vislumbrou o jogador, que também fraturou o nariz em 2014 atuando, diante do CSA-AL, e permaneceu em campo para ajudar os companheiros.

Eleito pelos jornalistas dos órgãos de comunicação das cidades que tiveram representantes no Paulistão como o melhor lateral-esquerdo da competição - prêmio foi divulgado pela Federação Paulista de Futebol, que organizou a competição -, o camisa 6 também demonstrou muita determinação para estar junto com o elenco.

Em outubro, contra Huachipato, no Chile, pelas oitavas de final, o atleta já havia repetido o feito heroico. A saga de Alvaro começou após a vitória da Celeste sobre Omã por 3 a 0, no Estádio Al Buraimi Sports Complex. De Al Ain, o jogador percorreu 160 km até Dubai. De lá, retornou ao Brasil e após 12.247 Km chegou na capital paulista.

Depois, seguiu para Santiago (3.338 km) e dormiu na capital chilena na noite passada. Nesta manhã, nos últimos 500 km de sua viagem, o lateral foi para Concepción - base tricolor para o duelo contra o Huachipato -, e pôde finalmente reencontrar os companheiros.

Após 16.245 km, muitas horas de voos e diversos deslocamentos, o uruguaio chegou para lutar com a equipe são-paulina pela permanência do clube na competição continental.  Vale lembrar que antes de enfrentar Omã, o Uruguai encarou a Arábia Saudita (1 x 1) no dia 10, em Jeddah. O período de amistosos serviu para o técnico Óscar Tabárez trabalhar o time de olho na disputa da Copa América de 2015.

Na ocasião, como forma de retribuição pela determinação e vontade do uruguaio, o goleiro Rogério Ceni entregou a faixa de capitão ao camisa 6. E é com esta mesma entrega pelo Tricolor que o atleta quer fazer bonito em 2015 e conquistar títulos.